Anatomia e fisiologia da pele, cicatrização, avaliação, coberturas padronizadas no município, Polos de Curativos, encaminhamentos e Sistematização da Assistência de Enfermagem.
Camadas da pele, funções e o que o leito da ferida está mostrando.
Aguda ou crônica, etiologia, estágio, tecido e exsudato.
Entre os produtos padronizados na SMS-SP, o que responde ao problema daquela ferida.
UBS ou Polo, referência e contrarreferência, evolução que o próximo plantão usa.
22' Fundamentos
14' Cicatrização
12' Avaliação
16' Tratamento
22' Coberturas
10' Polos
14' SAE
6' Fechamento
Principalmente queratinócitos, que impermeabilizam a pele. Em constante renovação: as células mais antigas são substituídas em média a cada 12 dias.
Tecido conjuntivo com cerca de 70% de colágeno, glicoproteínas e fibras elásticas, que dão flexibilidade e resistência. Onde estão vasos e nervos.
Tela subcutânea de tecido frouxo rico em células adiposas. Conecta derme e fáscia muscular, é reserva energética e isolante térmico.
Barreira contra agentes químicos, físicos e biológicos.
Sem ela: contaminação direta e risco de infecção.
Recebe estímulos sensoriais: tato, dor, temperatura.
Sem ela: perda de sensibilidade protetora — origem do pé diabético.
Regula a temperatura por vasodilatação e sudorese.
Sem ela: ferida extensa perde calor — hipotermia no queimado e no idoso.
Força mecânica e capacidade de regeneração.
Sem ela: cicatriz menos elástica, com contratura e retração.
Resiste à perda de água e eletrólitos.
Sem ela: queimadura extensa perde volume — repõe-se líquido, não só curativo.
Produção de vitamina D; secreção e excreção.
Sem ela: acamado e sem sol acumulam deficiência de vitamina D.
Participa da resposta imune local e sistêmica.
Sem ela: ferida crônica inflama o corpo todo e piora a comorbidade.
Armazena lipídios, água e vitaminas.
Sem ela: o desnutrido não tem substrato para cicatrizar.
Reflete alterações sistêmicas: icterícia, anemia, desidratação.
Na prática: a pele mostra a doença antes do exame.
Pele íntegra: cerca de 5,5 em mulheres e 5 em homens.
Leito da ferida: 5,8 a 6,6 — levemente ácido, condição para que as funções celulares ocorram adequadamente.
Secreções, urina, fezes e alguns antissépticos alteram esse pH.
Faixa ideal: 36,4 °C a 37,2 °C.
É nessa faixa que ocorrem metabolismo, síntese de proteínas, fagocitose e mitose.
Variações prejudicam ou interrompem o processo celular.
Ferida é qualquer lesão que interrompa a continuidade da pele.
Ruptura da vascularização com hemostasia imediata. Segue a sequência esperada de reparo.
Desvio na sequência do processo. Se não fecha em 3 semanas após a ruptura da pele, entra nessa categoria.
Incisivas: perda mínima de tecido. Excisivas: remoção de áreas de pele.
Mecânicos (prego, espinho, pancada) · Físicos (temperatura, pressão, eletricidade) · Químicos (ácidos, soda) · Biológicos (animais, parasitas).
Pressão · neuropatia diabética · insuficiência venosa · arterial · queimadura (calor, frio, químico, elétrico, radiação).
| Classificação | O que significa |
|---|---|
| Limpa | Lesão feita em condições assépticas, isenta de microrganismos. |
| Limpa contaminada | Lesão com menos de 6 horas entre o trauma e o atendimento. |
| Contaminada | Mais de 6 horas entre trauma e atendimento, com contaminantes presentes, sem processo infeccioso local. |
| Colonizada | Presença e proliferação de microrganismos, sem provocar reação no hospedeiro. |
| Criticamente colonizada | População microbiana estabelecida, ferida que não cicatriza: o organismo não consegue controlar os microrganismos. |
| Infectada | Bactérias invadem o tecido sadio e desencadeiam resposta imunológica do hospedeiro. |
Pele avermelhada, não rompida. Mácula eritematosa bem delimitada, atingindo epiderme.
Pequenas erosões na epiderme ou ulcerações na derme. Apresenta-se como abrasão ou bolha.
Afeta derme e tecido subcutâneo. Pode haver descolamento de bordos.
Perda total da pele, atingindo músculos, tendões e exposição óssea.
Quem passa muito tempo sentado: tuberosidades isquiáticas, pés, espinha dorsal torácica, calcanhares.
Quem passa muito tempo acamado: região sacrococcígea, trocantérica, isquiática e espinha ilíaca, joelhos, cotovelos, tornozelos, região occipital e orelhas.
Pequena: menor que 50 · Média: 50 a 150
Grande: 150 a 250 · Extensa: maior que 250
Número: mais de uma ferida no mesmo membro ou área, com distância mínima de 2 cm entre elas — faça a somatória.
Medida padronizada permite dizer se melhorou, piorou ou está inalterada — em cm² e em percentual.
O colega do próximo plantão entende a mesma ferida sem precisar olhar.
O tamanho define a quantidade de cobertura, a frequência de troca e o custo do material.
Granulação: vermelho vivo, brilhante, úmido, ricamente vascularizado.
Epitelização: revestimento novo, rosado e frágil.
Necrose de coagulação (escara): crosta preta e/ou bem escura, seca, firmemente aderida.
Necrose de liquefação: amarelo-esverdeado, amolecido, comum com infecção e secreção purulenta.
Esfacelo/fibrina: amarelo ou branco, adere ao leito em cordões ou crostas; pode ser mucinoso.
Seroso: muito líquido, baixo conteúdo proteico.
Sanguinolento: ruptura de vasos ou hemácias.
Purulento: rico em células e detritos; bactérias piogênicas produzem supuração.
Odor: bactérias e tecidos em decomposição.
| Aspecto | Necrose seca | Necrose úmida escura | Necrose úmida clara | Granulação |
|---|---|---|---|---|
| Cor | Negra ou marrom escura | Esfacelo amarronzado ou amarelo escuro | Esfacelo fibroso amarelado ou cinza | Vermelho |
| Umidade | Seca | Amolecido / encharcado | Macio / fibroso | Pouco a moderadamente úmido |
| Aderência | Firmemente aderido na base e bordas | Aderido apenas na base | Frouxamente aderido | — |
Vasoconstrição, coágulo e chegada de células de defesa. Sinais: dor, calor, rubor e edema. Função: limpar o leito.
Tecido róseo, mole e granular na superfície em 3 a 4 dias. Inclui granulação, angiogênese e reepitelização.
Acúmulo de colágeno, contração e clareamento. A cicatriz madura se forma de 3 semanas a 1 ano ou mais.
Bordas aproximadas, cicatriz mínima. Feridas cirúrgicas e queimaduras de 1º grau. Fecham em 4 a 14 dias.
Houve perda de tecido; bordas não aproximáveis. Cicatriza de dentro para fora: mais lenta, cicatriz maior, mais complicações.
Mantida aberta intencionalmente para reduzir edema ou infecção, ou permitir drenagem. Ex.: ferida cirúrgica infectada com dreno.
Sabão tensoativo em lesão aberta tem ação citolítica. Antissépticos também: quanto maior a concentração, maior a citotoxicidade.
Gaze seca e manipulação excessiva removem tecido novo.
É o único grupo que a enfermagem controla inteiramente.
Hemorragia interna (hematoma) ou externa · deiscência, mais comum entre o 3º e o 11º dia · evisceração (emergência) · infecção, que pode gerar celulite, osteomielite, bacteremia e sepse · fístula · cavitação e tunelização, que escondem exsudato e favorecem abscesso.
Leito úmido e limpo · perfusão adequada · controle de infecção · nutrição com proteína e micronutrientes · alívio de pressão e cisalhamento · adesão ao plano de troca.
Nenhum desses é opcional: são as condições do processo.
| Estágio da lesão | Proteínas | Líquidos | Calorias |
|---|---|---|---|
| Pele intacta (cuidados preventivos) | 0,8 – 1,0 g/kg | 30 ml/kg/dia | 30 kcal/kg/dia |
| LPP estágio I e II · lacerações, abrasões · lesões isquêmicas | 1,2 – 1,5 g/kg | 35 ml/kg/dia | 35 kcal/kg/dia |
| LPP estágio III e IV | 1,5 – 2,0 g/kg | 35 – 40 ml/kg/dia | 40 kcal/kg/dia |
| LPP estágio IV · queimaduras | Até 3,0 g/kg | 40 ml/kg/dia | 40 ou mais kcal/kg/dia |
| Feridas múltiplas que não cicatrizam · hipoalbuminemia · lesões venosas e LPP II múltiplas | 2,0 – 3,0 g/kg | 40 ml/kg/dia | 35 – 40 kcal/kg/dia |
Pó com no mínimo 20 g de proteína por dose, com vitaminas A, C, D, E, K, B12, selênio, zinco, arginina e colágeno hidrolisado. Sachê de 25 ou 30 g = 200 ml.
Adultos a partir de 19 anos com lesões de várias etiologias, inclusive pré-operatório de cirurgias de grande porte.
Contraindicado em gestantes, lactentes e crianças.
Estágio I e II: 1 a 2 unidades/dia. Estágio III e IV: 2 a 3 unidades/dia.
Retirada mensal no Polo de Curativo, mediante impresso de dispensação preenchido, cartão do SUS e documento com foto.
Comprimento, largura, profundidade, forma e bordas.
Dentro de 4 cm: edema, eritema, dor, maceração, erupção, bordas ressecadas, corpos estranhos.
Granulação, epitelização, necrose de liquefação, escara, esfacelo.
Passagem sob a pele que cria espaço morto com potencial de abscesso.
Quantidade, cor e tipo.
Presente ou ausente; se presente, descrever.
Em repouso e na troca do curativo.
Íntegra, ressecada, macerada, com dermatite.
Régua em centímetros: maior comprimento e maior largura, perpendiculares. Resultado em cm².
Sempre na mesma posição e com o mesmo método, para permitir comparação.
Após a limpeza, preencher a cavidade com SF 0,9%, aspirar com seringa estéril e ler o volume em mililitros.
Alternativa: introduzir espátula ou seringa estéril e marcar a profundidade.
Granulação e novo epitélio. Ambiente úmido, proteção dos tecidos, prevenção de infecção.
Esfacelo e necrose de liquefação. Remover tecido inviável: a colonização favorece a infecção.
Escara espessa. Remover necrose, respeitando perfusão e estabilidade da escara.
1. Avaliar — avaliação, fase da cicatrização e objetivo do tratamento.
2. Limpar — reduzir contaminantes sem causar dano adicional.
3. Remover necrose — desbridamento no método adequado ao caso.
4. Tratar infecção — local ou sistêmica, com cultura quando indicado.
5. Preencher o espaço morto — cavidade, túnel e descolamento, sem tamponar em excesso.
6. Gerenciar o exsudato — absorver o excesso, hidratar a ferida seca.
7. Manter ambiente úmido — o princípio que orienta todo o cuidado.
8. Isolar termicamente — preservar a faixa de 36,4 a 37,2 °C.
9. Proteger a ferida — barreira contra contaminação e trauma mecânico.
A ordem importa: cobertura é a última decisão, não a primeira.
A ferida não precisa secar para cicatrizar. Precisa de umidade equilibrada.
Protege terminações nervosas — menos dor na troca e em repouso.
Acelera a cicatrização — favorece migração celular e granulação.
Previne desidratação e morte celular — evita a crosta que esconde o leito.
Promove necrólise e fibrinólise — desbridamento autolítico natural.
Cloreto de sódio 9 mg/ml. É a escolha de rotina para limpeza.
Irrigar com seringa de 20 ml e agulha 40x12: a pressão é adequada para limpar a superfície sem traumatizar o leito.
Polihexametileno biguanida. Para feridas potencialmente infectadas ou criticamente colonizadas.
Recomendado em diabéticos e imunossuprimidos. Cobrir o leito com gaze e umedecê-la, respeitando o tempo do fabricante.
1. Reunir material, conferir validade e integridade.
2. Remover o curativo antigo e desprezar a pinça usada.
3. Limpar do mais limpo para o mais contaminado.
4. Secar a pele perilesional e aplicar a cobertura.
5. Desprezar o descartável no lixo hospitalar.
6. Deixar pinças e materiais permanentes 30 min em solução desinfetante.
7. Lavar as mãos e fazer o registro do procedimento.
8. Orientar usuário e família conforme a necessidade.
| Método | Como funciona | Quando indicar |
|---|---|---|
| Cortante conservador | Tesoura, lâmina de bisturi e outros materiais cortantes. Realizado por médico ou enfermeiro capacitado. | Grande quantidade de tecido ou urgência; remover o máximo de tecido necrótico possível. |
| Cirúrgico | Incisões em tecidos vivos, em centro cirúrgico ou ambiente controlado. | Necrose extensa, infecção relacionada à úlcera, necessidade de drenagem. |
| Mecânico | Curativos úmidos a secos, fricção, irrigação, hidroterapia. | Excesso de tecido necrótico com secreção mínima. Exige técnica e material adequados. |
| Enzimático-químico | Enzimas aplicadas topicamente, que digerem apenas o tecido necrótico. | Quando não há urgência de drenagem. Seguir o fabricante; interromper quando o leito estiver limpo. |
| Autolítico | O corpo usa as próprias enzimas, com ambiente úmido mantido por hidrogel e curativos hidratantes. | Mais lento, indolor e de fácil realização. Não é a melhor opção se a ferida estiver infectada. |
Aplicar protetor cutâneo na área circundante. O cuidado reduz maceração, mantém a pele seca e facilita a aderência do curativo.
Spray barreira: ao borrifar, proteger o leito da ferida para o produto não cair dentro.
Creme barreira: em áreas de risco de maceração, como região da fralda em pacientes com incontinência.
Lesão por estase venosa: o sangue não retorna das pernas ao coração adequadamente, por varizes de longa data ou após trombose.
Fatores de risco: diabetes, hipertensão, obesidade, trauma, tabagismo, sexo feminino, gestações e uso de contraceptivo.
Tratar a estase venosa com repouso e terapia compressiva.
Terapia tópica que mantenha o leito úmido e limpo, absorvendo o exsudato.
Controle de infecção com antibiótico sistêmico quando indicado e prevenção de recidivas.
Aferir o ITB antes de comprimir. Não usar compressão com ITB abaixo de 0,8 — risco de necrose do membro.
Bota de Unna contraindicada em úlcera arterial e mista, ITB 0,7–0,8, celulite, TVP, suspeita de infecção e ausência de sensibilidade.
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Arquivo de consulta, atualizado constantemente. Não pode ser editado. Serve para facilitar os pedidos.
Ela não escolhe por você. Dois produtos padronizados podem ser inadequados para a mesma ferida — e um deles pode piorar a lesão.
Qual é o tecido, o exsudato, a dor e a profundidade? A categoria do produto sai daí.
Antimicrobiano, absorvente, hidratante, protetor ou tecnologia — conforme a tabela por situação clínica.
Buscar o produto na tabela SUPRI antes de montar o pedido, para não trocar nome ou apresentação.
| Situação | Cuidado local | Consideração | Indicação genérica |
|---|---|---|---|
| Tipo de tecido granulação, fibrina, secreção, escara | Otimizar o leito: proteger granulação, remover necrose | Baseada no tipo de tecido. Curativos que promovem desbridamento autolítico quando há tecido necrótico. | Hidrogel, hidrofibras, espumas com ou sem silicone |
| Inflamação e infecção localizada, difusa, sistêmica | Providenciar controle bacteriano | Ferida infectada requer antimicrobiano oral ou IV. Não usar curativo oclusivo em lesão infectada. | Antimicrobianas com prata, PHMB 0,2%, Hycos MG500 |
| Exsudação nula, baixa, média, intensa | Equilibrar a umidade: adicionar ou remover | Ferida seca pede curativo que aumente umidade. Exsudação pede absorção e proteção da pele perilesional. | Hidrogel, alginato de cálcio, hidrofibra, espumas |
| Dor na troca ou contínua | Controle da dor | O curativo não deve ser aderente. Depende do tipo de dor. | Membrana de celulose, espumas com silicone |
| Odor | Reduzir o odor | Odor pode ser causado por infecção: certifique a causa antes de escolher. | Curativos com prata ou PHMB 0,2% |
| Profundidade cavidade, descolamento, túnel, fístula | Ocupar espaços mortos | Preencher, não tamponar. Evitar produtos que deixem resíduos. Tamponamento pode causar necrose. | Alginato, alginato com prata, hidrofibra ou hidrofibra com prata |
| Ferida inalterada sem evolução em 10 dias | Estimular tecido viável | Leito deve estar livre de necrose, biofilme ou infecção. Observar etnia e doenças crônicas. | Reavaliar antes de trocar produto |
Curativos de vários tipos e formatos — hidrofibra, espumas, camadas de contato — impregnados com prata, DACC ou PHMB.
Produtos: Aquacel Extra Ag · Sorbion Durafiber Ag · Aquacel Ag Foam · Aquacel Ag Foam Silicone · Mepilex Ag · Mepilex Ag Transfer · Acticoat Flex · Urgo Tul Ag · Urgo Clean · Hydroclean Plus · Exufiber Ag · Compressa Cutimed Sorbact · PHMB solução e gel.
Alginato: placas e fitas de fibras de alginato de cálcio e sódio, de algas marinhas. Exsudato moderado a intenso; efeito hemostático; requer curativo secundário.
Hidrofibra: carboximetilcelulose de sódio que vira gel ao contato com umidade e estimula desbridamento autolítico. Moderada a alta absorção.
Nunca em feridas secas.
Espuma de poliuretano hidrofílico, multicamadas, absorvente, com superfície semipermeável.
A camada de silicone não adere ao leito: minimiza trauma, dor e maceração. Exsudato moderado a intenso; feridas traumáticas e dolorosas; adaptam-se aos contornos.
Produtos: Mepilex e variações, Allevyn, Aquacel Foam, Cutimed Sorbact.
Gel de alginato de cálcio, sódio e carboximetilcelulose sódica, tubo de 85 g.
Promove desbridamento autolítico e hidratação de feridas secas. Requer curativo secundário; troca pelo menos a cada 3 dias.
Não usar em feridas com grande exsudação.
Gel com propriedades hidratantes e antimicrobianas: reidrata tecidos, cria ambiente úmido, facilita o desbridamento autolítico e controla carga bacteriana.
Requer curativo secundário. Proteger os bordos para evitar maceração. Troca a cada 24 horas ou conforme o fabricante.
Membrana de celulose bacteriana, com poros, em placas. Estímulo à granulação, redução da dor, auto-aderente e de baixa aderência ao leito.
Indicada para escoriações, skin tears, lacerações, queimaduras de 1º e 2º grau, traumas e lesões vasculogênicas. Pode permanecer até 12 dias, conforme a exsudação.
Curativo hidrocoloide extra fino e transparente.
Indicado para fixação de prong nasal em neonatologia.
Não confundir com o hidrocoloide de espessura média usado para absorção.
| Produto | O que é | Para que serve |
|---|---|---|
| MG 500 creme reestruturante | Frasco 150 ml. Creme reestruturante para limpeza de feridas e estímulo à granulação. | Úlceras vasculogênicas, lesão por pressão, queimaduras, pé diabético. Requer curativo secundário; aplicação diária. |
| Debriderm creme debridante | Frasco 100 ml, creme spray com bioativos naturais. | Limpeza do leito com ação debridante, antimicrobiana e antifúngica. Lesões com tecido inviável e biofilme. |
| Dérmico para queimadura | Frasco 150 ml, creme com bioativos naturais e extrato glicólico de Aloe Vera. | Queimaduras: limpeza de crostas, alívio da dor e estímulo à granulação. |
| HI hidratante | Frasco 250 ml, creme com extrato glicólico de cana de açúcar. | Hidratação de peles ressecadas e descamativas em pacientes desidratados e acamados. |
| HD hidratante protetor | Frasco 120 g, creme com bioativos nanovetorizados. | Membros inferiores de pacientes diabéticos. |
| EB Reparador Hycos | Frasco 250 ml/g, creme com bioativos naturais. | Epidermólise bolhosa e lesões crônicas de difícil resolução. Também hidrata pele íntegra. |
| Sulfadiazina de prata 10 mg/g | Creme, tubo de 400 g. | Queimaduras. |
| Spray barreira Vuelo Pharma 28 ml | Protetor cutâneo em spray. Não causa ardor, não contém corante nem conservante. | Área peri-lesão, peri-gastrostomia, peri-ileostomia, prevenção de dermatite associada à incontinência. |
| Dermamon creme barreira | Protetor cutâneo em creme. | Prevenção de dermatite associada à incontinência. |
Kit de espuma de poliuretano poroso, equipamento de vácuo e coletor. Aplica pressão negativa localizada, remove secreção, reduz edema e estimula granulação.
Versões hospitalar e ambulatorial: KCI (VAC) e Carilex VT One.
Não usar com fístula não explorada, tecido necrosado, osteomielite não tratada, malignidade, nem sobre vasos ou órgãos expostos.
Nevelia: matriz de regeneração dérmica, dupla camada com colágeno bovino e silicone. Perdas teciduais extensas. Prescrita e manipulada por médico, em ambiente hospitalar.
Flowable: matriz dispersível/injetável, colágeno bovino granulado com glicosaminoglicano. Preenche cavidades: LPP, úlceras cavitárias, pé diabético, trauma com exposição óssea e úlceras venosas.
Dermapace: equipamento que estimula perfusão vascular e vascularização tecidual.
Usado com capa protetora com sachê em gel estéril, para melhor condução das ondas.
Bota de Unna (Skinage, Flexi Dress) e K2 multicamadas — prescrição médica.
Rede tubular: fixação de curativos e compressas, sem costuras, reutilizável; escolher conforme tamanho e localização.
Gelificador Vuelo: cápsula que gelifica 100 ml de efluentes em bolsas de estomia.
| Estágio | Objetivo do tratamento | Exsudato | Curativo indicado |
|---|---|---|---|
| Estágio I eritema não branqueável, pele intacta | Remover a causa; proteger a área e evitar piora | Sem exsudato | Protetores cutâneos, creme barreira, filmes transparentes, Hycos MG 500, Hycos HI |
| Estágio II perda de epiderme e/ou derme; lesão rasa, bolha ou ruptura | Tratamento por meio úmido, mantendo o equilíbrio da umidade | Zero a escasso | Espumas com silicone para cobertura atraumática, membrana de celulose, tules não aderentes, hidrogel, Hycos MG500 |
| Estágio III espessura total no subcutâneo, pode haver descolamento | Manter úmido com equilíbrio de umidade OU limpar, desbridar, absorver exsudato e preencher espaço morto. Gerenciar o equilíbrio bacteriano. | Média a intensa | Absorventes de baixa a moderada exsudação; hidrofibras e espumas para moderada a intensa; alta absorção com base de prata (Ag) |
| Estágio IV perda total com necrose, músculo, osso ou estrutura de sustentação | Desbridar tecidos não viáveis e estabilizar tecidos viáveis. Desbridamento só se houver circulação adequada. | Variável | Desbridamento autolítico, mecânico e enzimático; hidrofibras e espumas com prata |
| Sem estágio lesão completamente coberta por necrose | Expor o leito para poder avaliar | Variável | Depende do tecido encontrado após o desbridamento |
Baixa complexidade
Média e alta complexidade
Estomaterapeuta ou dermatoterapeuta: conhecimento, treinamento específico e habilidade para feridas, incontinências e estomas. Não é cargo, é qualificação — e o enfermeiro da UBS também avalia e prescreve.
Plano de cuidado personalizado · educar paciente e família · manter o estoma · prevenir e reabilitar · apoio psicológico · adaptação às mudanças no corpo · escolha de produtos · ensinar técnicas de manutenção.
Suspeita de infecção local: solicitar cultura com antibiograma e iniciar antibiótico sistêmico após a coleta.
Sinais sistêmicos: febre, mal-estar, aumento de linfonodos, celulite, fasceíte, osteomielite, sepse.
Em idosos: confusão, delírio e anorexia podem ser o primeiro sinal.
Curativo simples de ferida cirúrgica limpa, escoriação e queimadura de 1º grau sem complicação — resolvidos na UBS.
Prioridade: encaminhamento de especialista para nutricionista deve ser agendado como vaga zero.
| # | Etapa do Processo de Enfermagem | Onde a ferida entra |
|---|---|---|
| 1 | Coleta de dados (histórico / avaliação) | Anamnese, exame físico e avaliação da ferida: localização, medida, tecido, exsudato, odor, dor, pele perilesional, comorbidades, mobilidade e nutrição. |
| 2 | Diagnóstico de enfermagem | Ex.: integridade tissular prejudicada; risco de infecção; dor aguda; mobilidade prejudicada; déficit de autocuidado. |
| 3 | Planejamento (resultados e prescrição) | Objetivo do tratamento, escolha da cobertura, frequência de troca, metas mensuráveis e quem executa o quê. |
| 4 | Implementação | Limpeza, desbridamento, aplicação da cobertura, proteção da pele, orientação ao usuário e à família. |
| 5 | Avaliação de enfermagem | A evolução: comparar com a avaliação anterior e decidir se mantém, ajusta ou encaminha. |
Prescrição copiada do plantão anterior, sem nova avaliação. A ferida mudou e o plano não.
Evolução sem medida e sem comparação: ninguém consegue dizer se o tratamento está funcionando.
Plano sem responsável e sem prazo de reavaliação. Fica combinado no ar.
É ato médico. O enfermeiro realiza o cortante conservador, quando capacitado.
Executada pelo enfermeiro conforme diagnóstico médico de úlcera venosa, mista ou linfedema.
Prescrição médica. A cultura orienta o tratamento e deve ser colhida antes, quando possível.
Exigem capacitação e solicitação especial com relatório médico, fotos e previsão de quantidade.
Se o próximo profissional não consegue decidir o que fazer só com a sua evolução, ela está incompleta.
Descrever sem comparar com a avaliação anterior não mostra evolução. Diga se melhorou, piorou ou está inalterada — e desde quando.
Comunicar ao enfermeiro: mudança de aspecto, aumento de dor, novo odor, sangramento, sinais de infecção.
“Ferida em bom estado” · “sem alterações” · “curativo realizado” · “paciente orientada” — nenhuma dessas frases permite decidir a próxima conduta.
Ferida limpa, sem alterações. Realizado curativo. Orientada paciente.
12/03/2026 09:20 — LPP sacrococcígea, 4,0 × 3,0 × 0,5 cm. Leito com 80% de tecido de granulação e 20% de esfacelo aderido em borda inferior. Exsudato serossanguinolento, moderado, sem odor. Pele perilesional íntegra, com hiperemia em região de apoio. Dor 3/10 na troca. Realizada limpeza com SF 0,9% sob irrigação e desbridamento autolítico com hidrogel; aplicada hidrofibra e espuma com silicone. Mantida troca a cada 3 dias. Orientados mudança de decúbito a cada 2h e uso de coxins. Redução de 18% da área em relação a 05/03.
Leito com 80% de granulação e área reduzindo: a cobertura atual está funcionando. Mantém e reavalia em 3 dias.
Os 20% de esfacelo na borda inferior pedem atenção: manter o desbridamento autolítico e reavaliar a troca.
Se a redução parar por duas avaliações seguidas, considerar Polo e avaliar causa, pressão e colonização.
1. Qual é a causa desta ferida — e o que mudou desde a última troca?
2. O leito está limpo, úmido e aquecido?
3. A cobertura que está aí está funcionando? Há quanto tempo?
4. O que eu preciso registrar para o próximo plantão decidir?
Traga um caso real: descreva localização, medida, tecido, exsudato e pele ao redor — e decidimos juntos a conduta e o encaminhamento.